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Adolescentes sequestradas voltarão

 

Presidente da Nigéria diz a Malala que garotas sequestradas voltarão para casa

malala_presidente_nigeria - AP Photo
ABUJA (Reuters) – O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, prometeu nesta segunda-feira que as mais de 200 estudantes nigerianas sequestradas por militantes islâmicos voltariam “em breve” para casa, durante um encontro com a ativista paquistanesa adolescente Malala Yousafzai.

Malala, que se tornou uma celebridade mundial depois de ser baleada na cabeça pelo Taliban, por fazer campanha pela educação de meninas, visita a Nigéria para apoiar uma campanha internacional pela libertação das estudantes adolescentes sequestradas em meados de abril pelo grupo rebelde islâmico Boko Haram.

A estudante paquistanesa,  afirmou que considera as mais de 200 adolescentes sequestradas por islamitas na Nigéria como suas irmãs.
Em uma entrevista ao canal “CNN”, Malala afirmou que o grupo extremista Boko Haram, responsável pelo sequestro em massa, não entende o islã e não estudou o Alcorão.
“Eles não utilizam corretamente o nome do islã porque esqueceram que a palavra islã significa ‘paz’”, afirmou Malala.
“Quando soube que estas meninas haviam sido sequestradas na Nigéria me senti muito triste, pensei que minhas irmãs estavam na prisão e que deveria falar em seu favor”, completou a adolescente.

A jovem paquistanesa, que completou 17 anos no sábado, se encontrou no fim de semana com as famílias das garotas sequestradas da aldeia de Chibok.
Alguns dos pais choraram enquanto Malala falava em um hotel na capital Abuja, neste domingo.
— Eu posso ver aquelas meninas como minhas irmãs… eu vou falar por elas até que sejam libertas.
— Eu vou participar ativamente da campanha ‘Traga nossas garotas de volta’, para ter certeza de que elas voltem com segurança e continuem seu estudos.

O sequestro das meninas nigerianas gerou uma campanha internacional no twitter #BringBackOurGirls, apoiada por Michelle Obama e Angelina Jolie. Isso chamou a atenção mundial para a guerra no nordeste da Nigéria e para o risco crescente à segurança que o Boko Haram representa para o país, o maior produtor de energia da África.

Com o desaparecimento das meninas desde o sequestro em 14 de abril, Jonathan enfrenta críticas em casa e no exterior sobre a deterioração da situação da segurança na Nigéria.
“O presidente me prometeu… que as meninas sequestradas vão retornar às suas casas em breve”, disse Malala, que chamou as 219 estudantes de “irmãs”, em entrevista coletiva após uma reunião de 45 minutos com Jonathan na vila presidencial nesta Segunda feira.
A garota paquistanesa também fez um apelo diretamente ao Boko Haram para que ponha fim aos seus ataques e liberte as meninas sequestradas, dizendo que o Islã é “uma religião de paz” que permite a educação tanto para homens como para mulheres.
Malala disse que iria cobrar do líder nigeriano a sua promessa. “Eu vou contar os dias a partir de agora e ficarei atenta. Eu não posso parar esta campanha até ver essas meninas voltarem para suas famílias e continuarem a sua educação”, disse ela.
Ela acrescentou que Jonathan também prometeu que, uma vez resgatadas, as meninas sequestradas receberão bolsas de estudo para ir à escola, em qualquer parte da Nigéria.
Pressionada por jornalistas sobre o que o presidente tinha dito a ela, Malala contou que Jonathan descreveu a situação das meninas como “complicada” e que suas vidas poderiam ser colocadas em risco por uma tentativa de resgate militar.
“Mas o presidente disse que essas meninas são suas filhas e ele sofre com o sofrimento delas. Ele tem suas filhas e pode sentir o que elas estão sentindo … Ele tem várias opções, mas… ele vai escolher a melhor para garantir que as meninas sejam libertadas com segurança”, disse Malala.
Militantes do Taliban no Paquistão balearam Malala por sua defesa apaixonada do direito das mulheres à educação. Ela sobreviveu depois de ser levada para a Grã-Bretanha para o tratamento, e desde então se tornou um símbolo do desafio contra os militantes que operam nas zonas tribais ao longo da fronteira entre Paquistão e Afeganistão.

Por Felix Onuah (reuters.com); Da France Presse (em G1)

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Joás Inacio

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