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Milhares de pessoas fogem do Estado Islâmico

Na maior vitória para o Estado Islâmico este ano, os militantes do ISIS tomaram o controle de Ramadi, no domingo. Os militantes do ISIS apreenderam um grande arsenal, incluindo lança-granadas e metralhadoras pesadas fornecidos pelos Estados Unidos e Rússia. A cidade era uma peça fundamental para o avanço do ISIS no controle da província de Anbar.

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Quase 25 mil pessoas fugiram da cidade iraquiana de Ramadi depois do ataque de militantes do Estado Islâmico, e a maioria delas se dirigiu a Bagdá, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira(18).
A ONU e outras agências humanitárias começaram a distribuir alimentos, água e suprimentos médicos, além de estabelecer acampamentos temporários. No entanto, os recursos para as operações de ajuda no Iraque estavam se esgotando, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários no Iraque.
Ramadi passou para as mãos dos militantes no fim de semana e muitos tiveram que escapar do Estado Islâmico pela segunda vez, já que 130 mil deixaram a cidade iraquiana em abril.
“Milhares de famílias que tinham fugido anteriormente retornaram para suas casas em Ramadi. Quando os combates ocorreram novamente, foram forçados a fugir pela segunda vez”, informou comunicado da ONU.
“Nada é mais importante agora do que ajudar as pessoas que fogem de Ramadi. Elas estão em apuros e precisamos fazer todo o possível para ajudá-las”, disse a coordenadora humanitária da ONU no Iraque, Lise Grande.
“Milhares de pessoas tiveram que dormir ao relento, porque não têm lugar para ficar. Poderíamos fazer muito mais se tivéssemos o financiamento.”
Agências da ONU e outras organizações de ajuda estão dando assistência a mais de 2,5 milhões de pessoas deslocadas e refugiadas no Iraque, mas os recursos estão quase acabando e 56 programas de saúde terão de fechar em junho, acrescentou o comunicado.

iraque

Centenas de milhares fugiram de suas casas desde que os confrontos provocados por militantes do grupo Estado Islâmico varreram grande parte do norte e oeste do Iraque em junho, representando uma ameaça de fragmentação do país.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), cerca de 1,2 milhão de pessoas deixaram suas casas por todo o Iraque neste ano.
Cerca de 200 mil pessoas se instalaram na região do Curdistão iraquiano em agosto, quando a cidade de Sinjar e áreas vizinhas foram invadidas pelo Estado Islâmico.
Ao menos 11 mil pessoas da minoria yazidi se refugiaram na vizinha Síria, país assolado pela guerra civil, e cerca de 300 estão cruzando a fronteira todos os dias em Peshkabour, segundo o Acnur.

A agência humanitária da ONU disse nesta terça-feira (19) que vai lançar uma grande operação de ajuda humanitária para enviar suprimentos a estes mais de meio milhão de pessoas deslocadas pelo conflito no norte do Iraque.
Um carregamento aéreo com barracas e outros suprimentos vai ser enviado por quatro dias, começando na quarta-feira, a Erbil, no Curdistão iraquiano, a partir de Aqaba, na Jordânia.
Em seguida, serão enviados comboios terrestres a partir da Turquia e Jordânia, assim como o envio de suprimentos por mar, a partir de Dubai, através do Irã pelos próximos 10 dias, disse o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards.  ”Esse é um esforço de ajuda muito, muito significativo e certamente um dos maiores de que consigo me lembrar em bastante tempo”, disse ele em uma coletiva de imprensa em Genebra.  ”Essa é uma grande crise humanitária e um desastre”, afirmou.

 

Fonte: Reuters | nytimes
Tradução e adaptação: Joás Inacio (Semeadores)

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