Meriam – Condenada por causa de sua fé

por Joás Inacio Vieira - Publicado em 05 de julho de 2014

meriam bbc

“Meu destino está nas mãos de Deus” (Meriam Ibrahim) ainda sofre perseguição no Sudão:

A cristã sudanesa que havia sido condenada à morte sob a acusação de apostasia do islamismo concedeu uma entrevista(veja aqui) após a anulação da sentença que chocou o mundo e disse que colocou seu futuro nas mãos de Deus.
Conforme já havíamos noticiado aqui, Meriam Ibrahim já estava livre quando foi detida novamente por agentes do governo sudanês no aeroporto de Cartum, capital do país.  Após a intervenção do governo dos Estados Unidos, as autoridades do Sudão afirmaram que Meriam havia sido retida no aeroporto apenas para averiguação da documentação, uma vez que ela teria apresentado um visto de viagem internacional inválido(o Sudão ainda não aceita a nova identidade de Mariam como cristã sul-sudanesa porque não reconhece seu casamento…).
Mas o advogado da mulher, Elshareef Ali Elshareef Mohammed, afirmou que não há nenhuma informação oficial sobre a soltura da sudanesa, e que a informação passada pode ser uma tentativa do governo de inibir a pressão internacional.
Mohammed concedeu uma entrevista ao Channel 4 News falando sobre o caso, ele afirmou que Meriam está em um hospital prisional por conta do parto recente. Ela deu à luz à Maya, sua filha caçula, na semana passada e está sendo mantida com os pés presos em correntes.
Sobre a soltura ele afirma que é o sistema judicial quem deve revogar a sentença de morte e não o governo como aconteceu no final da última semana quando um oficial da chancelaria disse que Meriam seria solta.
Pelas regras do Sudão, para revogar a sentença de morte contra a mulher cristã é necessário entrar com uma apelação junto à corte e esse processo pode demorar meses para ser julgado e aceito.
Elshareef tem certeza que o oficial só falou em soltar Meriam para impedir que as campanhas mundiais continuassem pedindo por sua libertação. Diversos líderes políticos internacionais já se pronunciaram sobre o caso que tem gerado comoção e preocupação.

Perseguição
Quando Meriam foi condenada (numa quinta-feira 14 maio, 2014, um juiz sudanês condenou Meriam Ibrahim à morte. Seu crime? Ela é uma cristã. Criada como uma cristã por sua mãe cristã, o juiz determinou-lhe um apóstata – um crime punível com a morte no Sudão, simplesmente porque seu pai era muçulmano) ela estava grávida de oito meses de seu segundo filho da união com Daniel Wani, que também é cristão. As autoridades do país entenderam que ela havia cometido adultério, e a condenaram também a 100 chibatadas, além do enforcamento por causa da suposta apostasia.

Daniel Wani emigrou para os EUA do Sudão em 1998 e tornou-se um cidadão dos EUA, em 2005. Ele conheceu Miriam na igreja em uma visita ao Sudão, e os dois se casaram em dezembro de 2011. Daniel, que sofre de distrofia muscular e está em cadeira de rodas, foi para o Sudão no último verão para preparar a sua esposa e filho para ir para sua casa, em New Hampshire.
Nesse ínterim, alguém dizendo ser irmão de Meriam alertou as autoridades para a sua possível apostasia. No tribunal, Meriam testemunhou que ela nasceu em Darfur e foi criada por uma mãe etíope, uma cristã. Seu pai deixou a família quando ela tinha 6 anos. Ela negou conhecer qualquer uma das pessoas que afirmam ser seus parentes.

A defesa de Meriam alegou que por ela nunca ter professado a fé islâmica, não poderia ter deixado de ser muçulmana.
O argumento dos advogados que defenderam Meriam só foi aceito pela Corte de Apelações após uma intensa pressão internacional que cobrou do governo sudanês o respeito aos compromissos assumidos pelo país junto à comunidade internacional de respeitar as liberdades individuais.  Se Meriam for condenada à morte, ela vai ser a primeira pessoa a ser executada por apostasia no Sudão desde que a lei sharia foi introduzida no Código Penal em 1991.
O Código Penal sudanês incluiu formalmente a lei Sharia no Código Penal em 1991, incluindo o artigo 126, que afirma que “(1) Quem propaga a renúncia do Islã ou publicamente o denuncie por palavras explícitas ou em ato de indicação definitiva é dito ter cometido o delito de Riddah (apostasia). (2) Quem comete apostasia é convidado a arrepender-se em prazo a fixar pelo tribunal e se insistir em sua apostasia e não for um recém-convertido, será punido com a morte. (3) A punição para lapsos de apostasia se o apóstata se absteve de apostasia antes da execução “. Artigo 146 sobre a Pena de adultério, afirma que “(1) Quem comete o crime de adultério é punido com: (a) execução, por lapidação [apedrejamento], onde o agressor é casado; (b) cem chicotadas, onde o infrator não é casado.

Meriam, deu à luz uma menina(Maya) na prisão, e seu filho de 20 meses de idade e a criança americana recém nascida, definham com ela na prisão. Ela foi condenada a receber 100 chicotadas e depois ser executada por sua fé. Diante de tortura seguida de morte, Meriam permaneceu corajosamente firme. O juiz sudanês deu-lhe três dias para se retratar de sua fé, mas ela recusou, dizendo que “nunca foi uma muçulmana” e “continuaria a ser uma cristã.”

Meriam está enfrentando a morte por sua fé.
O que podemos fazer por ela?
Podemos orar para que o Senhor a proteja e guarde sua família.
Podemos, de alguma forma continuar pressionando as autoridades que a libertem.

para isso podemos assinar as petições que são feitas exigindo sua liberdade, ASSINE:

beheardproject

change

Podemos fazer ainda mais:
*Escreva aos Ministros do Sudão exortando-os a liberar Meriam imediata e incondicionalmente.
Comece sua carta com “Vossa Excelência”
Incluia uma frase sobre si mesmo;
*Expresse preocupação com a prisão de Meriam, mostre convicção, expresse condenação à detenção continuada com base em suas crenças religiosas e identidade;
Apele às autoridades para derrubar a sentença de Meriam e libertá-la imediatamente e incondicionalmente.
*Inste as autoridades a revogar as leis que criminalizam a apostasia e adultério para fazer leis nacionais consistentes com os direitos humanos e obrigações legais internacionais do Sudão.
*Apele às autoridades para uma moratória sobre as execuções, como primeiro passo para a abolição da pena de morte, e para abolir a pena de açoite (desumana).
Clique e baixe aqui um modelo de carta.

Mohamed Bushara Dousa
Minister of Justice

Ministry of Justice
PO Box 302 Al Nil Avenue
Khartoum
Sudan
Email: moj@moj.gov.sd

Ali Ahmed Karti
Minister of Foreign Affairs

Ministry of Foreign Affairs
PO Box: 302, Republic Street
Khartoum
Sudan
Fax: 011 249 183 772941

Envie cópias de suas cartas para:

Ibrahim Mahmoud Hamed
Minister of Interior

Ministry of Interior, PO Box 873
Khartoum
Sudan
Email: mut@isoc.sd

Selos: aproximadamente R$ 5,00

Fonte: Gospel Voice, Gospel Prime, Gospel Mais, Voz dos mártires, Anistia Internacional
Tradução e adaptação: Joás Inacio